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mai04

SEMPRE, É MATEMÁTICA

by Cromossômico

Se eu pudesse escorrer

Sem verter tinta no papel,

Que palavra sem som, eu seria?

Talvez, o oco leve dos seus passos

Que fazem o pisar ficar sem fundo.

E, a pergunta,

Sem resposta.

Mas, se na gramática falta conta,

Eu pago a língua com matemática.

O dicionário é tabuada

De amplitude inexata,

Que configura a pragmática,

Tática criativa da realidade trágica.

Não se espera um mágico.

Nem se acredita em mágica.

E, só não vislumbra o drama,

Os que estão gargalhando da piada:

A pompa midiática,

A treta diplomática,

A força programática,

A ditadura democrática,

Essa soma cáustica

Mistura a semântica com a saliva.

É ela quem nos pisa!

Sempre, é matemática…

 Comment 
mai04

BRADESTE

by Cromossômico

Que peste,

Somos nós?

É do nordeste

Que nós somos.

Até por isso,

Competimos?

Até parece

Que lutamos!

Até esqueço

O que eu pressinto.

Até escondo

O passado…

Mas, eu sou bradestino,

Brasileiro genuíno,

Nordestino,

Lá do Pernambuco.

O preconceito

Cai no trabuco,

Mas, no cartucho

Não há balas.

 Comment 
abr28

INSIGNIFICÂNCIA PULMONAR

by Cromossômico

Da minha cara quebrada

Não escorre sangue.

Todo o seu ímpeto agressivo,

Substantivo da prepotência,

Iguala-te à ínfima nulidade

Da sua insignificância pulmonar,

Ritmada por sopapos do coração,

Bomba de sangue,

Mensageiro da morte:

A falência cerebral.

Por esse desígnio fatal,

Cumpridor de ofício,

A diferença é igual,

Quando tragada pelo orifício.

Bebidos pelo fim,

Sugados, através da suposta extinção da consciência,

Chegou-se à decadência.

Agora, vê se para e pensa.

Vê se entende, e escolhe:

Para cada via que desce,

Tem outra que sobe.

Inspire…

Expire…

Mas, não pire!

 Comment 
abr27

METAMORFOSE POPULAR VIRILIZANTE BRASILEIRA

by Cromossômico

O povo serve a todos, inclusive aos seus opressores. O povo ocupa aos postos de trabalho que não oferecem nenhum tipo de honrarias, louvores, medalhas ou privilégios. O povo sofre. Sofremos calados, as vezes. Outras vezes, sofremos com a boca cheia – uns com a boca cheia de migalhas, outros com a mesa cheia de fartura. Não importa. Sofre-se bastante, quando se está vivendo num Estado administrado por parasitas das piores estirpes…

As políticas assistencialistas ajudam, mas, ao mesmo tempo, garantem as reeleições de alguns parasitas. Enquanto vozes forem abafadas por cédulas de papel pintado, de naturezas diferentes – do tipo propina, do tipo suborno, do tipo esmola, do tipo salário, do tipo benefícios, do tipo desvios, do tipo fraudes, etc. -, desconfio que a política continuará distante do que eu idealizo como o modelo bom ou ótimo para ela.
Como eu acredito que, efetivamente, as mudanças, quando elas acontecem, elas partem da vontade individual de mudança de cada sujeito em particular. Eu vou continuar lapidando-me, com o propósito de construir uma perspectiva panorâmica – a menos preconceituosa e a mais tolerante possível; para tentar, a partir desse posicionamento, formular proposições que tenham potencial de sugerir nova alternativa de organização social. Vale ressaltar: que a proposição de uma sugestão é incompatível, essencialmente, com a situação de imposição ideológica, hierarquizada. Repito: não acredito em outra via de transformação pessoal, que não seja aquela que só pode ser realizada por vontade própria, por busca individual e intransferível.

Estou tentando viver esta mutação cívica, pois, objetivo ser um cidadão genuíno. Às vezes, eu me desanimo, mas, apesar das dificuldades, não posso me dar o luxo de cruzar os meus braços, principalmente, por saber que, geralmente, o povo se cala com as migalhas dadas pelo governo, ou por motivo mais alarmante: por total desconhecimento dos seus direitos constitucionais. Como as migalhas não possuem a força para me calar, entendo que eu devo falar, pois, só não fala quem está com a boca cheia de migalhas, incluindo no rol dos mudos: os privilegiados que distribuem as migalhas e, também, os que não sabem o que falar… Eu, que não encho a minha boca com as migalhas do inimigo, e, que sinto vontade de falar, devo fugir do mar de pessoas iguais, controladas…

Broxante, para o Brasil, é o seu povo mole. Eu quero ser da parte viril – aquela que reclama dos absurdos, a que vota certo, a que cobra do governo, a que não está feliz com as injustiças… Está na hora de ser povo duro! Povo que faz a parte que lhe cabe para tentar mudar tudo aquilo que não está certo, reformular tudo o que estiver em desacordo com a vontade da “soberania popular”. Acredito que nós precisamos nos politizar, amigos e amigas.

 Comment 
abr22

O FUNCIONÁRIO DO MÊS

by Cromossômico

Eu vi raiar a paz.

A que pinta o céu de azul;

A que transforma gota

Em chuva,

Quando mancha o céu de cinza.

Aquilo que rega,

Aquilo que ensina:

O impulso criador.

 

Voa alto o condor

Para mirar em sua presa.

Não há, nele, malvadeza.

Ele não machuca a uma flor.

 

Já, lá no alto da sacada,

Está um dos sócios da empresa,

Com o olho gordo da pobreza,

E, com a sua falta de amor.

 

Segue firme,

O homem lutador,

Superando o chefe,

E a tristeza.

Se trabalhar certo,

Com certeza,

Vai ver o medo

Do opressor.

 Comment 
abr16

MUTÁVEL VARIANTE

by Cromossômico

Nem a saudade

Se segura,

Em sua forma latente

De tortura.

Nem sempre,

A boca

Transformará em gemido

O sentimento que estiver

Escondido.

Toda vez

Que não for um,

Serão dois,

Praticamente,

Sozinhos.

Cada um

Em seu caminho;

Ambos,

Sem saber

Se o futuro guardou

O eterno momento

Para vagarem, felizes,

Até se aquém

De um estado seguro.

 Comment 
abr07

NA TAMPA DA CARA

by Cromossômico

Hermeticamente em aberto,

O escancarado é velado.

Deixando o altruísmo de lado,

O egoísmo faz do homem, objeto.

 

O bacana contempla a ruína.

Inveja é o dente do lobo.

Inútil é o apelo do bobo.

A ganância é gerada em usina.

 

Vira-latas lambendo propina.

Candidatos cobiçando ao malote.

Devedores passando o calote.

Sirigaitas alugando a vagina.

 

Tudo na tampa da cara.

Evidente é o rumor do fracasso.

A evolução demonstra cansaço.

A presidência sapateia por cima.

 

Condenado por ser indigente,

Excluído não tem proteção.

A sua necessidade para a bala, no dente.

E a morte o toca, de raspão.

 

Com o pesar do desgosto, expresso

O que foi mantido de lado.

Observando com mais cuidado,

Enxerga-se o que obstrui o progresso.

 

Por mais que lhes seja indigesto,

Vão ter que engolir um bocado

De excremento do seu próprio pecado,

Defeito que o justo abomina.

 Comment 
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