
O povo serve a todos, inclusive aos seus opressores. O povo ocupa aos postos de trabalho que não oferecem nenhum tipo de honrarias, louvores, medalhas ou privilégios. O povo sofre. Sofremos calados, as vezes. Outras vezes, sofremos com a boca cheia – uns com a boca cheia de migalhas, outros com a mesa cheia de fartura. Não importa. Sofre-se bastante, quando se está vivendo num Estado administrado por parasitas das piores estirpes…
As políticas assistencialistas ajudam, mas, ao mesmo tempo, garantem as reeleições de alguns parasitas. Enquanto vozes forem abafadas por cédulas de papel pintado, de naturezas diferentes – do tipo propina, do tipo suborno, do tipo esmola, do tipo salário, do tipo benefícios, do tipo desvios, do tipo fraudes, etc. -, desconfio que a política continuará distante do que eu idealizo como o modelo bom ou ótimo para ela.
Como eu acredito que, efetivamente, as mudanças, quando elas acontecem, elas partem da vontade individual de mudança de cada sujeito em particular. Eu vou continuar lapidando-me, com o propósito de construir uma perspectiva panorâmica – a menos preconceituosa e a mais tolerante possível; para tentar, a partir desse posicionamento, formular proposições que tenham potencial de sugerir nova alternativa de organização social. Vale ressaltar: que a proposição de uma sugestão é incompatível, essencialmente, com a situação de imposição ideológica, hierarquizada. Repito: não acredito em outra via de transformação pessoal, que não seja aquela que só pode ser realizada por vontade própria, por busca individual e intransferível.
Estou tentando viver esta mutação cívica, pois, objetivo ser um cidadão genuíno. Às vezes, eu me desanimo, mas, apesar das dificuldades, não posso me dar o luxo de cruzar os meus braços, principalmente, por saber que, geralmente, o povo se cala com as migalhas dadas pelo governo, ou por motivo mais alarmante: por total desconhecimento dos seus direitos constitucionais. Como as migalhas não possuem a força para me calar, entendo que eu devo falar, pois, só não fala quem está com a boca cheia de migalhas, incluindo no rol dos mudos: os privilegiados que distribuem as migalhas e, também, os que não sabem o que falar… Eu, que não encho a minha boca com as migalhas do inimigo, e, que sinto vontade de falar, devo fugir do mar de pessoas iguais, controladas…
Broxante, para o Brasil, é o seu povo mole. Eu quero ser da parte viril – aquela que reclama dos absurdos, a que vota certo, a que cobra do governo, a que não está feliz com as injustiças… Está na hora de ser povo duro! Povo que faz a parte que lhe cabe para tentar mudar tudo aquilo que não está certo, reformular tudo o que estiver em desacordo com a vontade da “soberania popular”. Acredito que nós precisamos nos politizar, amigos e amigas.
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